Atitudes firmes são fundamentais na educação dos filhos
*HELMUT TROPPMAIR
Secretário Municipal da Educação de Rio Claro/SP - professor titular da Universidade Estadual de São Paulo.
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Não restam dúvidas de que hoje há insegurança sobre a educação dos filhos. Existem teses, teorias, experiências as mais diversas e que apontam direções, muitas vezes opostas, que trazem um dilema para os pais: Como educar? Qual é o caminho correto? Segundo Mary Winn, há poucas décadas, não havia dúvidas para um adulto e para uma criança ou jovem sobre as atitudes a tomar e o caminho a seguir. Já estava definido o que e onde estudar. Havia um consenso sobre o comportamento desejado e ficava muito claro o que deveria ser feito e o que deveria ser evitado. Educava-se simultaneamente com amor e rigor, com permissões e proibições, com prêmios e castigos. Rejeitados os métodos antigos e autoritários surgiram o que a literatura específica chama de pais progressistas: Evitam uma intervenção autoritária na vida dos filhos, procuram orientar, dialogar e apelar para um comportamento racional. Abrem mão de toda autoridade e pedem aos filhos compreensão e cooperação. Em verdade, esse repúdio a uma forma excessivamente rigorosa de educar levou os pais a uma atitude que muitos pedagogos consideram como fuga das responsabilidades educacionais. Muitos pais, hoje, têm medo de enfrentar os filhos; não têm autoridade para exigir que os filhos menores não dirijam o carro ou a moto, que colaborem em determinadas tarefas, que voltem de seus passeios a certa hora da noite. Procura-se cultivar a participação dos filhos ainda bem pequenos na vida familiar apesar de serem crianças ainda não aptas, não amadurecidas para determinadas responsabilidades e problemas. Muitos filhos sofrem pressões em situações embaraçosas, quando são obrigadas a opinar entre colocações feitas pelo pai ou pela mãe. A falta de firmeza dos pais leva segundo a psicóloga e médica Jirina Prekop, a criança a impor a sua vontade. Ela determina o que vai comer o que vai vestir, que programa assistir na TV, como deve ser mobiliado seu quarto. Acostumados desde cedo a impor sua vontade, a criança e o adolescente não aceitam ser contrariados. A reação bem conhecida é espernear, gritar, chorar. E acaba pôr praticar atos mais graves que preocupam toda a família. A criança, em verdade, que confiar em seus pais; pai e mãe devem ser referências, devem estabelecer regras e objetivos para que a criança se sinta segura. “MEU PAI É O MAIS FORTE, O MAIS INTELIGENTE, MINHA MÃE, A MAIS BONITA”. E um sentimento de confiança e de orgulho da criança. Deixá-las proceder como querem (teoria dos antipedagogos) não é um gesto de grandeza, de modernidade dos pais; é mais uma fuga de suas responsabilidades e medo de serem chamados de quadrados. “Uma geração que não acredita que pode moldar o futuro, que é incapaz de construir com segurança e amor a sua vida e a dos seus filhos, é uma geração que nada tem a oferecer às gerações futuras. É uma geração que deve calar porque não vê perspectiva para sua própria vida”. Isto é o que nos diz Holt. Se os pais não estabelecerem para as crianças os parâmetros de comportamento, se não tiverem firmeza em suas atitudes os filhos tornar-se-ão inseguros: Em lugar de uma orientação firme, seguem modas, modelos, opiniões adquiridas nas ruas ou através dos meios de comunicação e adotam valores no mínimo, discutíveis. Atrás de uma criança que se impõe pela força, pela rebeldia, pelo grito, muitas vezes se esconde uma pessoa insegura e medrosa. Postman analisa a sociedade norte-americana (análise válida também para nós) e aponta alguns sintomas que denomina de sinais doentios da infância e da juventude. Entre outros, cita: - PERDA DA CAPACIDADE DE AUTODOMÍNIO. Não alcançando seus objetivos, a criança grita, chora, esperneia e realiza todos os desaforos até alcançar seu desejo. – PERDA DA CAPACIDADE DE SE EXPRESSAR DE FORMA CORRETA. A criança utiliza fragmentos de frases desconexas, gírias e expressões obscenas. É uma linguagem que desconhece respeito e com ela que apenas, muitas vezes de forma cínica, impõe sua vontade. - PERDA DA CAPACIDADE DE AGRADECER E DE SER MODESTO. Tudo o que os pais dão e fazem nada mais é que obrigação deles. A criança ou o jovem entendem que devem ser atendidos plenamente, enquanto os restantes membros da família tornam-se secundários, isso pode resultar em desunião e degradação da família. - PERDA DA OBEDIÊNCIA E DA CONSCIÊNCIA QUE O PODER DOS PAIS E DO GOVERNO SÃO NECESSÁRIOS MANTER UMA ORDEM, NÃO PARA SUBJULGAR. O resultado é uma reação de revolta pôr parte dos jovens. “Destruir o que se nos opõe destruir tudo, o vandalismo é o lema fundamental”. – PERDA DO SENTIDO DE VALOR DA VIDA. Que é substituído pelo álcool, pôr drogas e atitudes violentas e criminosas. O objetivo é viver o momento, não pensar no futuro. Não há futuro. Basta pensar na violência das torcidas nos jogos de futebol. Muitos leitores dirão: Postman exagerou. Tais atitudes são de poucos jovens. È possível que hoje ainda sejam minoria. Mas amanhã o que acontecerá? Essa é a responsabilidade dos pais e, praticamente, só deles (a escola apenas colabora): Educar os filhos através de atitudes firmes para termos uma infância e uma juventude sadia para um futuro que desejamos para todos. BIBLIOGRAFIA: HOLT,John, Zum Teufel MIT der kindheit. Wetz: s.n.1988 = POSTMAN, Neill. The disappearance of childhood. New York: s.n.1988 =PREKOP,Jirina. Der Kleine tyrann (O pequeno tirano). Sttutgart: s.n.1988 = WINN,Mario. Children without chidhood.New York: s.n.1988 _Informações retiradas da revista do professor – Porto Alegre – Pág.47, abril;junho/1996 (Reflexão de HELMUT TROPPMAIR)






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